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terça-feira, 17 de agosto de 2010

A Cartografia e suas aplicações

O presente artigo discorrerá sobre o conceito, a história e as aplicações da Cartografia desde a Antiguidade até os dias atuais, seu desenvolvimento e os interesses envolvidos como a visão política ou ideológica proporcionada pelo mapa. Tratará ainda das novas tecnologias na confecção dos mapas como o sensoriamento remoto, a aerofotometria, o uso de computadores e a importância desta ciência para a organização da sociedade.

A Cartografia é uma ciência muito antiga sendo que os povos antigos como os egípcios, árabes, mesopotâmicos, europeus entre outros já utilizavam a bases da moderna cartografia para representar as áreas ocupadas, os recursos naturais e até mesmo o globo terrestre, seja para controlar as atividades diárias ou para entender o mundo que os cercava. A cartografia pode servir para vários objetivos como se pode observar historicamente como desde a representação das paisagens naturais até a visão ideológica de cada povo, seja baseada na política ou na religião.

Com o passar do tempo a ciência cartográfica foi evoluindo se tornando cada vez mais científica e precisa recebendo contribuições de vários povos e gerações desenvolvendo as mais diferentes formas de técnicas para melhor representar o espaço, seja para entendê-lo , explicá-lo, ou melhor definir seus recursos e suas potencialidades.

O instrumento utilizado pela cartografia para representação do espaço são os mapas ou cartas, os globos sendo que para sua confecção são várias as técnicas utilizadas como a escolha do tamanho da área a ser representada fazendo uso das escalas e o tipo de projeção mais adequada. As bases fundamentais para elaboração de um mapa cartográfico são a escala, as projeções cartográficas, as convenções cartográficas e as técnicas de mapeamento como os métodos de aquisição, processamento, interpretação e representação dos dados.

Foram vários os personagens que contribuíram para o aperfeiçoamento da cartografia como o grego Cláudio Ptolomeu, o Belga Gerhard, a família Sanson que sem dúvida fizeram com que esta ciência evoluísse a um patamar de qualidade e confiabilidade. Atualmente, sobretudo a partir do final do século XX outro personagem, agora mecânico vez com que a cartografia despontasse como a ciência da precisão, os satélites que permitiram fotografar a superfície terrestre em grande extensão ou até mesmo a Terra inteira permitindo a visualização integral do relevo, da hidrografia, da vegetação, dos aglomerados populacionais, das propriedades rurais permitindo uma apreensão do todo fantástica, já o computador permitiu a captura, tratamento, manipulação e representação dos dados.

A Cartografia é a arte ou ciência que tem por objeto traçar mapas. A confecção de mapas requeria tradicionalmente: 1) Habilidade para encontrar e selecionar informações sobre os diferentes aspectos da geografia; 2) Técnicas e habilidades de desenho com o objetivo de criar um mapa final capaz de representar com fidelidade as informações; 3) Destreza manual para desenhar as informações através do uso de símbolos, linhas e cores; 4) Técnicas de desenho para simplificar os desenhos. Existem diferentes tipos de mapas; os topográficos mostram as características naturais ou artificiais da paisagem, os temáticos mostram temas específicos e geralmente se baseiam em um mapa topográfico. Os mapas também podem ser classificados como de grande e de pequena escala. A distinção entre eles é arbitrária, portanto, alguns países consideram como grande escala a partir de 1:10.000, enquanto outros a consideram a partir de 1:25.000. Durante cinco séculos, os cartógrafos criaram os mapas em papel. Nos últimos trinta anos, esse procedimento mudou com a introdução dos computadores, que automatizaram as técnicas cartográficas.

Na cartografia a técnica utilizada para representar a superfície terrestre é o mapa, representação de uma área geográfica ou parte da superfície da Terra, desenhada ou impressa em uma superfície plana. Contém uma série de símbolos convencionais que representam os diferentes elementos naturais, artificiais ou culturais da área delimitada no mapa. Seu tipo básico é o mapa topográfico, que mostra os elementos naturais da área analisados e também certos elementos artificiais, além das fronteiras políticas. Entre os mapas temáticos mais importantes encontram-se as cartas de navegação marítima (náuticas) e as cartas de navegação aérea (aeronáuticas). As cartas de navegação marítima cobrem a superfície dos oceanos e de outras grandes massas de água, bem como suas costas. As cartas de navegação aérea contêm a situação dos radiofaróis, dos corredores aéreos e das áreas cobertas pelos campos de transmissão das estações de rádio.

Já o Atlas é o conjunto de mapas geralmente em forma de livro. Tradicionalmente são conjuntos de mapas sobre temas relacionados e quase todos produzidos em uma mesma escala. Alguns são temáticos (estatísticos, educativos, demográficos, históricos, ou ecológicos). Os Atlas regionais também são de grande importância. Sua finalidade é representar cartograficamente as relações estabelecidas entre as diferentes populações e territórios que configuram uma região e os diversos tipos de atividades estabelecidos na mesma. Os Atlas nacionais, por sua vez, trazem informações sobre a geografia, a hidrografia, a geologia, os recursos naturais, a economia e a população de uma região.

A arte de traçar mapas começou com os gregos que, no século VI a.C. em função de suas expedições militares e de navegação, criaram o principal centro de conhecimento geográfico do mundo ocidental. O mais antigo mapa já encontrado foi confeccionado na Suméria, em uma pequena tábua de argila, e representa um Estado. A confecção de um mapa normalmente começa a partir da redução da superfície da Terra em seu tamanho. Em mapas que figuram a Terra por inteiro em pequena escala, o globo se apresenta como a única maneira de representação exata. A transformação de uma superfície esférica em uma superfície plana recebe a denominação de projeção cartográfica.

Cartografia, portanto, é a arte e ciência de graficamente representar um área geográfica em uma superfície plana como em um mapa ou gráfico (normalmente no papel ou monitor). As representações de área podem incluir superexposições de diversas informações sobre a mesma área através de símbolos, cores, entre outros.

A Cartografia data da pré-história quando era usada para delimitar territórios de caça e pesca. Na Babilônia os mapas do mundo eram impressos em madeira num disco liso, mas foram Erastóstenes de Cirene e Hiparco (século III a.C.) que construíram as bases da moderna cartografia com um globo como forma e um sistema de longitudes e latitudes. Ptolomeu desenhava os mapas em papel com o mundo dentro de um círculo, sendo imitado na maioria dos mapas feitos até a Idade Média. Foi só com a era dos descobrimentos que os dados coletados durante as viagens tornaram os mapas mais exatos.

Com a descoberta do novo mundo, a cartografia começou a trabalhar com projeções de superfícies curvas em impressões planas. A mais usada e conhecida é a projeção Mercator.

Hoje em dia a cartografia é feita através de fotometria e de sensoriamento remoto por satélite e, com a ajuda de computadores, mais informações podem ser visualizadas e analisadas pelos geógrafos, fazendo mapas que chegam a ter precisão de até 1 metro.

Mapas

A localização de qualquer lugar na Terra pode ser mostrada num mapa. Mapas são normalmente desenhados em superfícies planas em proporção reduzida do local da Terra escolhido. Nenhum mapa impresso consegue mostrar todos os aspectos de uma região. Mapas em contraposição a foto aéreas e dados de satélite podem mostrar muito mais do que apenas o que pode ser visto. Podem mostrar, por exemplo: concentração populacional, diferenças de desenvolvimento social, concentração de renda, entre outros. Os mapas, por sua representação plana, não representam fielmente um mundo geóide como a Terra, o que levou cartógrafos a conceberem globos, que imitam a forma da Terra.

Os mapas mais comuns são os políticos e topográficos, o primeiro representando graficamente os continentes e as fronteiras entre os países e o segundo representando o relevo em níveis de altura (normalmente também incluindo os rios mais importantes). Para desenhar mapas cartográficos dependeu-se de um sistema de localização com longitudes e latitudes, uma escala, uma projeção e símbolos. Hoje em dia, boa parte do material necessário ao cartógrafo é obtida de sensoriamento remoto com foto de satélite ou aerofotometria. No projeto RADAM - que mapeou o Brasil nas décadas de 70 e 80 - usou-se mais de aerofotometria e os primeiros mapas novos do país. O departamento de cartografia da ONU é responsável pela manutenção do mapa mundial oficial em escala 1/1.000. 000 e todos os países enviam seus dados mais recentes para este departamento.

Projeções

A transferência de uma esfera para a área plana do mapa seria impossível se os cartógrafos não se utilizassem de uma técnica matemática chamada projeção. Para ilustrar esta técnica podemos imaginar como seria se abríssemos uma esfera e achatássemos ela para a forma de um plano: partes da esfera original teriam que ser esticadas para podermos fazer isto, em especial as áreas mais próximas aos os pólos, criando grandes deformações de área em um mapa mundial, se comparássemos os países perto do equador com os mais perto do pólo.

Estas técnicas de projeções vêm desde os mapas da Grécia com Ptolomeu no séc. II, e foram evoluindo até que logo após a renascença o belga Mercartor concebeu a mais simples técnica de projeção, a qual é dada seu nome. É a projeção de mapas do mundo mais conhecida até hoje. Para a representação de países, entretanto, normalmente se usa a projeção bicônica. Outras técnicas foram evoluindo até os dias de hoje, e muitas outras projeções tentaram desfazer as desigualdades de área perto dos pólos com as de perto do equador, entre elas a projeção de Gauss, que permite se manter a familiaridade do mapa-múndi e ao mesmo tempo diminuir as distorções.

Sensoriamento Remoto

Quase a totalidade da coleta de dados físicos para cartógrafos, geólogos e oceanógrafos é feita através de sensoriamento remoto por meio de satélites especializados que tiram fotos da Terra em intervalos fixos. Estas imagens podem ser feitas através da escolha do espectro de luz que se quer enxergar e alguns podem enviar sinais para captá-los em seu reflexo com a Terra, gerando milhares de possibilidades de informação sobre minerais, concentrações de vegetação, tipos de vegetação, entre outros. Alguns satélites, especialmente os de uso militar, conseguem enxergar um objeto de até vinte centímetros na superfície da Terra, quando o normal são resoluções de vinte metros.

Várias empresas internacionais existem com o fim de vender imagens de satélite sob encomenda. No Brasil, algumas agências estão presentes, sendo que o INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial) possui instalações completas que vem fornecendo imagens para vários fins. Outra forma de sensoriamento remoto é a aerofotometria, que se utiliza de vôos altos para tirar fotos de dentro de aviões adaptados, artifício muito usado em agricultura e instalações de fábricas e complexos industriais, porque produz uma resolução melhor do terreno em questão.

Cartografia geográfica

No Brasil, foram desenvolvidas algumas pesquisas que discutiam as relações entre a geografia e cartografia visando repensar as bases teóricas desta discussão. As propostas realizadas dentro da perspectivas apresentadas por Libault (1971) esboçavam caminhos para repensar tanto as metodologias quanto a natureza das informações geográficas, outras propostas como a de Sanchez (1973) busca pensar a cartografia como um meio e não um fim de uma pesquisa geográfica e já apresenta formas de avaliar o desenvolvimento da produção cartográfica das informações geográficas.

A partir de Simielli (1986) reforça-se o desenvolvimento de uma “Cartografia Geográfica”, neste trabalho por meio da discussão da Teoria da Comunicação Cartográfica propõe o mapa como meio de comunicação das informações geográficas, levantando questões pertinentes ao uso e eficácia dos mapas dentro do conhecimento geográfico e no ensino de Geografia. Em Girardi (2003) identificamos um salto qualitativo no sentido de avaliar a relação entre a geografia e a cartografia considerando os mapas como representações sociais e, ressalta a produção de uma cartografia que vise discutir suas próprias práticas.

No âmbito internacional (tomaremos principalmente as discussões realizadas dentro da Associação Internacional de Cartografia - ICA), a discussão se coloca a partir de um avanço, sem uma superação completa da Teoria da Comunicação, do desenvolvimento tanto do corpo teórico quanto das técnicas propostas a partir da Visualização Cartográfica. Coloca-se a cartografia em uma outra esfera no campo dos saberes e a partir do uso do meio digital como canal de comunicação da informação e meio de desenvolvimento científico.

O estudo aqui apresentado justifica-se pela necessidade da continuidade desta discussão no campo teórico da cartografia brasileira, pois, a subutilização da cartografia temática na maioria das escolas da geografia instaurou, no Brasil, baixa demanda no desenvolvimento de pesquisas que avaliem e questionem as relações entre a geografia e a cartografia. A partir das considerações e propostas realizadas internacionalmente visa-se sistematizá-las e inseri-las na discussão nacional considerando as mudanças e as necessidades científicas da geografia desenvolvida na atualidade.

FONTES CONSULTADAS

DUARTE, Paulo Araújo. Fundamentos de Cartografia. 1º ed. Florianópolis: Editora da UFSC, 1994.

Cartografia. Disponível em: http://www.atr.com.br. Acesso em: 05 junho de 2004.

Enciclopédia Microsoft Encarta: Cartografia, 1995

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