segunda-feira, 25 de março de 2019

Análise do livro Prisioneiros da Geografia de Tim Marshal

Embora o autor tenha sobrevalorizado a importância da geografia física no desenvolvimento de um país achei a abordagem interessante e uma leitura leve e prazerosa. O tema Geopolítica é apaixonante e muito importante para a compreensão das relações entre os países e do próprio mundo.

Em relação a Rússia o que chama a atenção é que embora tenha um território vasto grande parte é gelado e seu acesso ao mar é limitado. O mar do norte congela por alguns meses durante o ano e o acesso pelo mar báltico depende da passagem pelo estreito de Bosforo na Turquia e depois pelo Estreito de Gibraltar entre a África e a Espanha ou pelo canal de Suez no Egito. Além do que sua população é relativamente pequena em relação a extensão territorial e as demais potências e há muito estagnada.

Em relação a China o que chama a atenção é ter que empregar e alimentar uma população muito grande formada por 1,4 bilhão de habitantes e ter se voltado por muito tempo para dentro, para seu próprio território, somente agora se preocupando com o transporte marítimo importantíssimo para o comércio internacional onde desponta como o maior exportador de manufaturados do mundo. A China embora tenha um vasto litoral tem em sua rota marítima que passar pelo estreito de Malaca entre a Indonésia e a Malásia para atingir o ocidente.

Em relação aos Estados Unidos o que chama a atenção além da extensão territorial é o fato de ter acesso aos dois principais oceanos Atlântico e Pacífico e também ao mar do Golfo do México ao sul. Outra característica é que os Estados Unidos é a maior potência militar, econômica e ideológica do mundo e tem bases militares por todo o globo.

Em relação a União Européia o interessante é a análise do conjunto de países que formam o bloco econômico e não os países separadamente. Outra questão é a proximidade da Rússia e a dependência do seu gás natural. O referido bloco econômico é formado por países muito diversos, mas tem sua força justamente por essa diversidade e pela união. A proximidade com a África é a Ásia também possibilitou a colonização desses territórios e o acúmulo de riquezas.

Em relação a África nota-se que houve uma divisão arbitrária dos territórios não levando em conta os povos existentes divididos em tribos. Não foi a toa, com povos diferentes ficava melhor de governar. A África foi colonizada e saqueada pela Europa por décadas e até hoje apresenta problemas decorrentes dessas intervenções. O continente é rico em minerais e petróleo. A China se espalha pela África rapidamente em busca de minérios, petróleo e mercado.

Em relação a Índia e Paquistão o que chama a atenção é a grande população da Índia com seus 1,3 bilhão de habitantes. Outra questão é Índia e Paquistão terem a tecnologia nuclear e serem inimigas. A Índia sendo a terceira economia do mundo logo a frente se deparará com o avanço da China.

Em relação ao Oriente Médio tal como a África foi dividida de forma arbitrária pelas potências européias não respeitando os povos com sua línguas e culturas próprias. A região é rica em Petróleo. O poder no Oriente Médio ainda é tribal sendo o Estado-nação uma abstração inventada pelo ocidente.

Em relação ao Japão e Coréia nota-se que a Coréia do Norte por possuir a tecnologia da bomba atômica se torna um ator importante na região sendo fonte de preocupação para Japão, China e Coréia do Sul. Japão e Coréia do Sul são economias altamente desenvolvidas com o uso intensivo de tecnologia.

Em relação a América Latina cabe destacar a influência exercida pelos Estados Unidos tanto do ponto de vista político como econômico e cultural. É formado por países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. A nação mais importante é o Brasil.

Em relação ao Ártico cabe destacar o degelo que vem ocorrendo onde novas rotas marítimas vem sendo possíveis de serem realizadas por maior período, além da disputa das nações árticas pelas riquezas existentes no local.

O livro faz uma análise interessante da questão geopolítica enfatizando os aspectos da geografia física de cada país ou
região. A análise embora determinista pode ser encarada como possibilita. Cada país possui características físicas que possibilitam ou não seu desenvolvimento.

Finalizando a última fronteira das nações é o espaço com o desenvolvimento de tecnologias de monitoramento e transmissões de dados (satélites) ou exploração dos demais corpos celestes.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

NOTA DA AGB E DA ANPEGE SOBRE O CRIME AMBIENTAL DA VALE S.A.

BRUMADINHO: NÃO FOI ACIDENTE!

A Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB), reunida na 136ª Reunião de Gestão Coletiva (RGC), e a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Geografia (ANPEGE), vêm por meio desta manifestar à sociedade brasileira nosso posicionamento contra o já anunciado assassinato dos seres humanos e do seu ambiente ocorrido na barragem do Feijão, de propriedade da Vale S.A., situada no município de Brumadinho (MG), no dia 25 de janeiro de 2019.

Este crime ambiental de responsabilidade da Empresa Vale S.A. – e compactuado por um Estado brasileiro subserviente à lógica do capitalismo neoliberal/neoextrativista – é mais uma violação provocada pela destrutiva submissão dos bens naturais pertencentes à toda sociedade aos interesses empresariais. A ofensiva neoliberal, sob a égide da atual conjuntura geopolítica de desconstrução da regulação/legislação ambiental, consolida um modelo predatório desumanizado de concentração e apropriação das riquezas sociais e naturais que resultou no assassinato de trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, de populações ribeirinhas e demais cidadãos de Brumadinho e Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

NÃO FOI ACIDENTE. Acidentes são provocados por tsunamis, erupções vulcânicas, terremotos, vendavais, tufões etc. Rompimento de barragem(s) é crime ambiental, é ganância, é negligência, é certeza de impunidade.

A AGB e a ANPEGE se solidarizam com os familiares das vítimas e exigem que a Vale S.A. seja responsabilizada por este crime, além de arcar com o auxílio emergencial a todos os atingidos, com a reparação ambiental da área atingida e reestruturação imediata da segurança de todas as barragens administradas pela empresa.
Convidamos a sociedade a pôr um fim nesse perverso modelo socioambiental de exploração mineral que faz parecer acidente natural um conjunto de crimes e catástrofes.
Convocamos, ainda, toda a comunidade geográfica para o acompanhamento das questões relacionadas ao crime, e a intervenção conjuntamente aos movimentos sociais e outras entidades e organizações da sociedade civil.

Fortaleza, 27 de janeiro de 2019.

ASSOCIAÇÃO DOS GEÓGRAFOS BRASILEIROS
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA