segunda-feira, 1 de abril de 2013

Fitofisionomias da Mata Atlântica

O Brasil é o país da biodiversidade. A característica principal de nossas florestas é o altíssimo número de espécies de fauna e flora que, ao longo dos séculos vem fascinando naturalistas, pesquisadores e, mais recentemente também os ecoturistas. A Mata Atlântica não foge à regra. Não é uma, são muitas florestas que compõe um grande mosaico florestal. A essas diferentes matas associam-se outros ecossistemas, criando uma cadeia de vida com muitas e diferentes interações, o Domínio Mata Atlântica.

No mapa abaixo você pode ver a distribuição dos vários ecossistemas (fitofisionomias) que compõem o Bioma Mata Atlântica.

www.rbma.org.br/anuario/mata_02_eco__ssistema.asp

Floresta Ombrófila Densa - mata perenifólia (sempre verde), com dossel ("teto" da floresta) de até 15m, com árvores emergentes de até 40m de altura. Densa vegetação arbustiva, composta por samambaias arborescentes, bromélias e palmeiras. As trepadeiras e epífitas (bromélias, orquídeas) cactos, samambaias, etc, também são muito abundantes. Nas áreas mais úmidas, às vezes temporariamente encharcadas, antes da degradação pelo homem, ocorriam figueiras, jerivás (palmeira) e palmitos (Euterpe edulis).

Floresta Ombrófila Aberta - é considerada um tipo de transição da floresta ombrófila densa, ocorrendo em ambientes com características climáticas mais secas.

Floresta Ombrófila Mista - conhecida como mata de araucária, pois o Pinheiro do Paraná (Araucaria anguistifolia) constitui o andar superior da floresta, com subosque bastante denso. Antes da interferência antrópica esta formação ocorria nas regiões de clima subtropical, principalmente nos planaltos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, e em maciços descontínuos, nas partes mais elevadas de São Paulo, Rio de Janeiro e Sul de Minas Gerais (Serras de Paranapiacaba, da Mantiqueira e da Bocaina).

Floresta Estacional (Decidual e Semidecidual) - mata com árvores de 25 e 30m, com a presença de espécies decíduas (derrubam folhas durante o inverno mais frio e seco), com considerável ocorrência de epífitas e samambaias nos locais mais úmidos, e grande quantidade de cipós (trepadeiras). Ocorriam antes da degradação pelo homem, a leste das florestas ombrófilas da encosta atlântica, entrando pelo Planalto Brasileiro até as margens do rio Paraná. O Parque Estadual do Morro do Diabo protege este tipo de floresta.

Manguezais - formação que ocorre ao longo dos estuários, em função da água salobra produzida pelo encontro da água doce dos rios com a do mar. É uma vegetação muito característica, pois o manguezal tem apenas sete espécies de árvores - menos de 1% das registradas na mata atlântica -, mas abriga uma diversidade de microalgas pelo menos dez vezes maior. Essa floresta invisível, revelam pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), é capaz de ocupar, com cerca de 200 mil representantes, um único centímetro quadrado de raiz de mangue. 

Restinga - ocupa grandes extensões do litoral, sobre dunas e planícies costeiras. Inicia-se junto a praia, com gramíneas e vegetação rasteira, e torna-se gradativamente mais variada e desenvolvida à medida que avança para o interior, podendo também apresentar brejos com densa vegetação aquática. Abriga muitos cactos, orquídeas e bromélias. Esta formação encontra-se hoje muito devastada pela urbanização.

Brejos de Altitude - São áreas de clima diferenciado no interior do semi-árido, também conhecidas regionalmente como "serras úmidas", por ocuparem primitivamente a maior parte dos tabuleiros e das encostas orientais do nordeste.

Campos - Ocorrem em elevações superiores a 180 metros e em linhas de cumeadas localizadas. A vegetação característica é formada por comunidades de gramíneas, em certos lugares interrompidas por pequenas charnecas. Freqüentemente nas maiores altitudes ocorrem topos planos ou picos rochosos.

No Brasil a Mata Atlântica ocorre em 17 estados e em cerca de 3400 municípios. Três estados (RJ, ES, SC) estão integralmente incluídos no Domínio da Mata Atlântica.

<www.rbma.org.br/anuario/mata_02_estados.asp>

Fonte: www.rbma.org.br. Acesso em 01/04/2013
www.portalsaofrancisco.com.br. Acesso em 01/04/2013

domingo, 24 de março de 2013

POLÍTICAS PÚBLICAS E DESENVOLVIMENTO RURAL PÓS 1990

RESUMO

Política Pública e Agricultura Familiar: Uma leitura do Pronaf

A opção da agricultura familiar como protagonista de um projeto de desenvolvimento rural representa um avanço em relação às ações públicas voltadas para o campo até então, mas certas noções presentes no texto do Pronaf alertam para riscos que esta política pode representar para a agricultura familiar.
Eleger a agricultura familiar como protagonista do desenvolvimento rural é um indicativo de uma mudança de paradigma, já que há décadas a agricultura familiar esteve relegada a segundo plano tendo sobrevivido em meio a competição de condições e recursos orientados a favorecer a grande produção e a grande propriedade.
Segundo o Pronaf a agricultura familiar tem função social dirigida ao desenvolvimento econômico do país sustentado nas noções de produtividade e rentabilidade crescentes tendo como conseqüência a melhoria na qualidade de vida da população rural.
O Pronaf teve como referências experiências européias principalmente da França que no pós-guerra elegeu a agricultura familiar como forma de produção implementando a modernização da produção agrícola e da sociedade rural, enquanto nessa mesma época o Estado brasileiro orientou-se para a modernização econômica e tecnológica da grande produção.
Outro ponto a ser destacado é que na França os investimentos eram geralmente a fundo perdido ou de proteção ao agricultor enquanto no Brasil a viabilização das condições de produção tem como objetivo reembolsar os investimentos públicos adequando o retorno dos investimentos a capacidade de pagamento do agricultor familiar.

Modernização e Agricultura Familiar

Cabe destacar que na França a agricultura repousa historicamente na produção familiar, o que justifica a decisão política de processar a chamada “industrialização” da agricultura sobre as bases de uma força de trabalho e de um capital essencialmente familiar.
Outro ponto é que a idéia de desenvolvimento contida no Pronaf embora associe o aumento da capacidade produtiva à melhoria da qualidade de vida, a noção de sustentabilidade não implica na opção por tecnologias alternativas ao padrão que vem sendo adotado até então. Torna-se difícil reconhecer a real possibilidade do governo em romper com as práticas pautadas na tecnificação para se orientar na direção de um novo paradigma de desenvolvimento rural.
O Pronaf valoriza a agricultura familiar como segmento gerador de emprego e renda de modo a estabelecer um padrão de desenvolvimento sustentável, por outro lado, qual forma de produção familiar teria a capacidade de realizar absorção de mão de obra, mantendo ao mesmo tempo a competitividade da economia sendo que na França se implementou políticas públicas como objetivo de diminuir a população rural e aumentar o padrão de vida do agricultor destacando-se por exemplo um programa educacional para orientar os filhos de agricultor a setores econômicos não agrícolas.

Agricultura familiar e desenvolvimento econômico

O governo reconhece a capacidade da agricultura familiar de se adaptar a situações diversas e de contribuir para o desenvolvimento econômico em condições de competitividade, ainda que sem lucro e renda. O incremento da produtividade como meta nos leva a velha fórmula desenvolvimentista: aumento da produção = diminuição de preço no mercado = competitividade. É contraditória a adoção de um modelo de intervenção na agricultura familiar atrelado à lógica do mercado e centrado no aumento da capacidade produtiva.
Torna-se indispensável à implementação de medidas que organizem o mercado e garantam preço para agricultura familiar, caso contrário, ela permanecerá a margem do processo de desenvolvimento econômico, em situação extremamente desfavorável devido a incapacidade de competir em espaços sociais sob a hegemonia da grande empresa e dos grandes negócios agroindustriais.

O modelo de agricultura familiar e o verdadeiro agricultor

Outro aspecto relevante é o caráter excludente dos critérios para se identificar o agricultor familiar beneficiário desta política. Nestes termos são considerados beneficiários os agricultores familiares reconhecidos como em transição, que possuam amplo potencial de viabilização econômica. Alguns requisitos indispensáveis é a utilização do trabalho direto seu e de sua família e que 80% da renda seja originadas da exploração agropecuária e/ou extrativa.  Os critérios de exclusão estão fortemente sustentados na noção, em construção, do verdadeiro agricultor, profissional com capacidade empresarial apto para encontrar na atividade agrícola a fonte da quase totalidade da renda familiar.
Neste sentido instituir o bom agricultor como aquele que aufere a renda familiar quase exclusivamente da atividade agrícola, implica excluir as possibilidades de combinar a agricultura com outras fontes de renda que, em alguns casos, são indispensáveis a continuidade da própria atividade agrícola e, portanto fundamentais para a retenção da mão-de-obra no campo.
A pluriatividade deve ser considerada para manter a população no campo e também viabilizar as pequenas unidades produtivas que não conseguem sustentar-se exclusivamente da produção agrícola, é também importante não esquecer que a especificidade da produção agrícola implica distinguir tempo de trabalho do tempo de produção, o que atribui outros significados ao trabalho não-agrícola exercido no quadro da unidade de produção familiar.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

MARIA JOSÉ CARNEIRO. Estudos Sociedade e Agricultura, 8 de abril de 1997.

O RURAL HOJE: UM OLHAR CRÍTICO

Para entendermos o rural hoje devemos voltar um pouco no tempo para compreendermos como se deu tal evolução. Iniciemos então nossa análise a partir da Segunda Guerra com as políticas governamentais instigadas pela polarização da Guerra Fria, onde se experimentou um notável crescimento econômico sendo que o desenvolvimento rural foi um dos motores do crescimento dado o peso da agricultura nas contas nacionais naquela época. As novas tecnologias oriundas do período Pós Segunda Guerra foram implantadas no campo provocando o que foi intitulado mais tarde de Revolução Verde, que se caracterizou pelo rompimento radical com o passado por integrar fortemente as famílias rurais as novas formas de racionalidade produtiva, quebrando a relativa autonomia setorial que em outros tempos a agricultura teria experimentado. O governo foi o grande fomentador neste período das políticas de modernização no campo com a difusão do pacote tecnológico que acarretou aumentos de produtividade promovendo desta forma o aumento da renda familiar, portanto, o tão esperado desenvolvimento rural.
No entanto a partir dos anos 80 a Revolução Verde já passa a enfrentar problemas de produtividade dado o uso irracional do solo e das técnicas agressivas de produção como o uso intensivo de fertilizantes e agrotóxicos e a pouca preocupação dispensada ao meio ambiente associada a nível superestrutural a ascensão das políticas neoliberais que enfraqueceram o papel do Estado na condução das políticas voltadas para o campo. A partir da década de 90 um complexo conjunto de novos processos sociais e econômicos veio à tona sob a expressão de globalização. Neste quadro o desenvolvimento rural gradualmente reapareceu nos debates em escala global com base no estudo dos impactos ambientais experimentados nas últimas décadas levando a promover outras formas de gestão dos recursos naturais que não obstante teve caráter impositivo. No Brasil, por exemplo, tem sido possível identificar algumas das razões que explicariam o surgimento de crescentes esforços sócio-políticos de revalorização da sociedade rural e suas atividades produtivas através de políticas públicas de apoio a agricultura familiar e ao desenvolvimento rural sustentável. Uma das propostas para o desenvolvimento rural é a melhoria do bem estar das populações rurais, seja através de financiamentos ou investimentos a fundo perdido afim de que estas populações possam promover um melhor manejo do solo sendo que a partir da década de 80 já havia se difundido a expressão de desenvolvimento sustentável.
A idéia de sustentabilidade nasceu da crescente percepção acerca dos impactos ambientais do padrão civilizatório acelerado pós Segunda Guerra. Neste sentido, o componente sustentável da expressão refere-se exclusivamente ao plano ambiental, indicando as necessidades das estratégias de desenvolvimento rural incorporar uma apropriada compreensão das chamadas dimensões ambientais. O desenvolvimento local, com a multiplicação das ONG’s que por atuarem normalmente em ambientes geograficamente mais restritos ( a região ou município) criaram uma estratégia de ação  local em contraposição aos processos globalizantes e os processos de descentralização valorizou o local, no caso brasileiro o município. As ações centradas em torno da agricultura familiar têm reforçado a tendência de novos padrões de desenvolvimento rural que incluem mecanismos de repercussão local.
Hoje o que se presencia na agricultura brasileira é uma série de formas diferentes de produzir e existir sendo verificadas desde técnicas arcaicas de plantio, basicamente de subsistências sem nenhum apoio governamental até as grandes monoculturas propiciadas pela Revolução Verde ou plantação de transgênicos, esta última como alternativa ao modelo anterior devido ao seu esgotamento, até ações um tanto inovadoras como a Agroecologia (produção de alimentos orgânicos) com o apoio da ONG’s que possuem centros de estudos e promoção da agricultura, a retomada da agricultura familiar com o apoio dos programas governamentais como o Microbacias e o Pronaf, estes em escala de intervenção local,. Enfim uma variedade muito grande de políticas ou total falta de políticas rurais, sendo que o que está em voga atualmente é a agricultura familiar sustentável. Vale lembrar que as políticas de desenvolvimento rural foram conquistadas através de muita luta onde foram importantes os movimentos sociais e as ONG’s promovendo movimentos em prol de uma sociedade mais justa, além de discussões sobre a implementação de novos modelos gerenciais para a condução da economia brasileira e um modelo alternativo de produção agropecuária dado os efeitos adversos provocados pelo padrão predominante, que passou a ser chamado de agricultura convencional, fortalecendo um conjunto de propostas antagônicas, classificadas como alternativas (orgânica, biológica, natural) de desenvolvimento sustentável .

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

NAVARRO, ZANDER. Desenvolvimento rural no Brasil: os limites do passado e os caminhos do futuro. Estudos Avançados 15, 2001.
CAMPOS, ARNOLDO DE. A Agricultura Familiar e o Governo FHC. Agroecologia e Agricultura Familiar, 2000.
ELIAS, DENISE. Globalização e Agricultura no Brasil. Geo UERJ, Revista do Departamento de Geografia da UERJ, 2002.

sexta-feira, 22 de março de 2013

ROCHAS SEDIMENTARES E AMBIENTES DE SEDIMENTAÇÃO


1. Rochas Sedimentares

     As rochas sedimentares no senso estrito são aquelas formadas a partir do material originado da destruição erosiva de qualquer tipo de rocha, material este que deverá ser transportado e posteriormente depositado ou precipitado em um dos muitos ambientes de sedimentação da superfície do globo terrestre. Na maioria das vezes apresentam-se estratificadas. No senso lato incluem também qualquer material proveniente das atividades biológicas. O critério da classificação das rochas sedimentares segue vários princípios, normalmente combinados entre si, como o ambiente, o tipo de sedimentação, constituição mineralógica ou tamanho das partículas.
    
Tabela das Rochas Sedimentares

Nome
Estrutura
Tamanho
Mineralogia
Cor
Permeabilidade
Argilito
Estratificada
Argila
Feldspatos
Cinza-escuro
Siltito
Estratificada
Silte
Feldspatos
Cinza-escuro
Varvito
Estratificada
Silte e Argila
Feldspatos e Quartzo
Cinza
Arenito
Maciça
Areia fina
Quartzo
Amarronzado
Boa
Conglomerado
Maciça
Seixo
Fragmentos
Cinza
Boa
   
   Segundo o ambiente de sedimentação, podem ser classificados em sedimentos continentais, que são subdivididos em fluvial, lacustre ou lagunar, desértico, leque aluvial e glacial, e sedimentos marinhos, que, de acordo com a profundidade da zona que ocupam, podem ser do tipo nerítico, batial ou abissal.
     Segundo o tipo, podem ser classificados em clásticos, químicos e orgânicos. Os sedimentos clásticos são constituídos por fragmentos desagregados das diversas rochas pré-existentes (vulcânicas, metamórficas ou mesmo sedimentares) que, transportadas para outras regiões, são depositados em camadas (estratos). Distinguem-se: macroclásticos (psefitos e psamitos, do grego psephis, seixo e psamos areia) e microclásticos (pelitos, do grego pelos, lama). Os psefitos constituem-se de seixos, isto é, grãos maiores que os de areia; os psamitos, de grãos do tamanho dos de areia e os pelitos, de grãos do tamanho dos de silte e argila.

Classificação Granulométrica dos Sedimentos Clásticos


Diâmetro (mm)
Wentworth
Diâmetro (mm)
Atterberg
Matacão
> 256
> 200
Bloco
64 - 256
20 - 200
Seixo
4 - 64
2 - 20
Grânulo
2 - 4

Areia grossa
1/4 - 2
0,2 - 2
Areia fina
1/16 – 1/4
0,02 – 0,2
Silte
1/256 – 1/16
0,002 – 0,02
Argila
< 1/256
< 0,002

     Os sedimentos químicos são aqueles originados da precipitação de solutos, graças á diminuição da solubilidade ou graças á evaporação da água. Quando se verifica este fenômeno o sedimento recebe o nome de evaporito. Os sedimentos químicos formados graças á diminuição da solubilidade são mais comumente os carbonatos, que se precipitam graças ao aumento de temperatura e conseqüente desprendimento de gás carbônico, responsável pela solubilidade dos carbonatos, ex: Halita (NaCl), Calcita (CaCO3). Os sedimentos orgânicos são formados pela transformação dos restos de seres vivos, vegetais e animais. O carvão de pedra e a turfa, por exemplo, são o resultado da transformação das grandes florestas que existiam na Terra, durante o período Carbonífero (há 345 milhões de anos).

2. Ambientes de Sedimentação

Sedimentos Continentais

Fluvial: Diminuindo a velocidade de um rio, graças ao menor declive existente nas regiões médias e inferiores, diminuirá também a sua capacidade transportadora, iniciando-se então a sedimentação do material transportado. Deve ser lembrado que o diâmetro dos detritos mais grosseiros, da mesma densidade, transportados por uma corrente, varia aproximadamente com o quadrado da sua velocidade, isto é, se a velocidade dobrar, o diâmetro máximo de um seixo que pode ser transportado será em volta de quatro vezes maior. Esta relação não se aplica às partículas menores que as areias, cujo diâmetro é de 2mm no máximo.
Agente: Água
Textura-Granulometria: Argila até Matacão
Estrutura: Estratificação plano-paralela
Rocha Sedimentar: Conglomerado

Lacustre ou Lagunar: Como podemos comprovar ao estudar a sedimentação marinha, os lagos são em muitos aspectos sedimentares reproduções do mar em escala reduzida. Em primeiro lugar, tem os mesmos tipos de sedimentos: detríticos ou clásticos, formados por fragmentos de outras rochas; químicos e bioquímicos, formados por precipitação de íons, induzida ou não por organismos; e orgânicos, que são restos de seres vivos. Igualmente se assemelham na existência de deltas, de ondulações sedimentares submarinas e de correntes de turbidez que circulam por seu fundo. Outras características, como a precipitação de sais, são ao contrário típicas de certos lagos.
Do ponto de vista sedimentar existem dois tipos de lagos:
- Lagos com sedimentação predominantemente detrítica e orgânica: tem um ou mais deltas que jogam sedimentos detríticos (seixos, areias, limos) nas bordas, mas também ocasionalmente ao centro mediante correntes de turbidez. Outra fonte de detritos finos no centro da bacia é a decantação das partículas que chegam em suspenção na água fluvial, a qual não se misturam imediatamente com a lacustre. Estas argilas do fundo costumam armazenar sulfetos e matéria orgânica (que podem chegar a formarem locais de carbono e petróleo, devido ao caráter redutor das águas profundas. A causa deste fenômeno químico é que as águas do fundo do lago, frias e por isso densas, se misturam pouco com as superficiais aquecidas pelo Sol. Os restos de seres vivos caem ao fundo e sua decomposição absorve todo o oxigênio da água.
- Lagos salinos: Em um lago, os sais precipitam a favor de algum dos seguintes processos:
- concentração por evaporação
- perda de gases (como CO2)
- mistura de águas
- mudança de temperatura
Do ponto de vista químico se distinguem os lagos de carbonatos dos lagos de sulfatos e cloretos. Do ponto de vista geológico se distinguem três tipos de lagos salinos: perenes e profundos (como o Mar Morto); perenes e rasos; e efêmeros e rasos, chamados também lagos do tipo praia (não confundir com praias costeiras). Precisamente são praias os lagos que costumam ficar no centro das zonas hiperáridas fechadas denominadas bacias sedimentares.
Agente: Água
Textura-Granulometria: Argila, Silte e Areia
Estrutura: Estratificação
Rocha Sedimentar: Arenitos e Siltitos

Desértico: Diminuindo a velocidade do vento, inicia-se a sedimentação das partículas segundo o seu tamanho, tendo em vista a uniformidade da densidade das partículas, predominantemente quartzosas. Primeiro os grãos maiores, passando para os menores. A diminuição da velocidade do vento é normalmente provocada por obstáculos diversos, como vegetais, blocos, etc. Atrás destes obstáculos o vento forma turbilhões e diminui de velocidade, provocando com isso a sedimentação, principalmente da areia de diâmetro de 0,1 a 1mm, aproximadamente, enquanto que as partículas menores se sedimentam depois pelas chuvas ou neves nas épocas de calmarias. Citam-se mesmo chuvas de barro e neves coloridas pelas poeiras, tal a quantidade de detritos aéreos aglutinados e depositados por estes agentes atmosféricos. As partículas menores que 50 mícrons são levadas pelo vento, pois sua velocidade de queda livre sofre uma brusca diminuição em relação às partículas maiores. Aos depósitos formados, graças ao vento, dá-se a designação de depósitos eólicos. Sua natureza é variável, podendo provir de explosões vulcânicas, de áreas periglaciais, de praias marinhas ou fluviais, de regiões áridas, sendo estas as de maior importância para a geologia, ou mesmo de regiões facilmente suscetíveis á deflação. Sendo o vento constante numa determinada direção, haverá uma deposição contínua, dando origem a elevações de forma regular e característica que recebe o nome de duna. Assim, uma das categorias de duna é a que se forma graças a obstáculos existentes no percurso do vento. Uma segunda categoria de duna, quanto á sua origem, é formada sem a intervenção de obstáculos. São tidas como as dunas verdadeiras.
Agente: Vento
Textura-Granulometria: Areia
Estrutura: Estratificação Cruzada
Rocha sedimentar: Arenito

Leque aluvial: Os primeiros sedimentos fluviais formam-se geralmente no sopé das montanhas, recebendo a designação de depósito de piemonte. São também chamados de cones ou leques aluviais, possuindo a forma aproximada de um leque, pelo motivo de se espalharem morro abaixo. Possuem litologicamente as mesmas características do tálus, com a diferença de terem já sofrido pequeno transporte pelas águas correntes. Se este material for litificado, receberá a denominação de fanglomerado. Em regiões semi-áridas, graças á ausência ou quase ausência de decomposição química, pose assemelhar-se a um tilito, também pela heterogeneidade granulométrica dos constituintes e falta de estratificação.
Agente: Gravidade
Textura-Granulometria: Argila
Estrutura: Estratificação
Rocha Sedimentar: Argilito

Glacial: Entre as diversas características dos sedimentos glaciais, a de maior interesse, por ser comum a quase todos eles, é a quase que total ausência de alteração química pelo intemperismo. Outra característica interessante é a presença de estrias nos seixos que são facetados, em vez de esféricos. Sabemos que quanto mais elevada for a temperatura, mais rápidas serão as reações químicas responsáveis pelo intemperismo. Estas são, pois, praticamente ausentes num ambiente glacial, fato de importância no reconhecimento de um antigo sedimento glacial. Os minerais facilmente decompostos em climas quentes, como os feldspatos e os máficos, são encontrados com freqüência entre os sedimentos glaciais. O material fino nada mais é do que o produto da pulverização mecânica das rochas, não ocorrendo os argilo-minerais.
Tilito: rocha endurecida formada pelo acúmulo dos detritos levados por uma geleira.
Varvitos: depósito de sedimentos que forma uma camada diferenciada. O termo costuma ser usado para definir os depósitos formados em lagos situados às margens de geleiras.
Agente: Gelo
Textura-Granulometria: Argila até Matacão
Estrutura: Estratificada e Maciça
Rocha Sedimentar: Argilito/Siltito, Arenito, Conglomerado
  
Sedimentos Marinhos

     A subdivisão das regiões dos mares baseia-se principalmente no critério da profundidade, declividade e da distância do afastamento da costa. Segundo as profundidades podemos distinguir as seguintes zonas nos oceanos:
Região litorânea: a profundidade da água é de poucos metros, compreendendo a zona atingida pela alta e baixa maré. A extensão varia, evidentemente, com a declividade da costa. Esta pode ser desde vertical, sendo neste caso pequena a região litorânea, até quase horizontal, havendo uma grande extensão ora coberta, ora descoberta pelo mar. No contato direto do mar com o continente são intensas as atividades construtivas e destrutivas do mar.
Região nerítica: É delimitada pela profundidade de cerca de 200m (plataforma continental), havendo íntima relação das relações do continente, com respeito ao clima, vida, topografia, etc., com a sedimentação e condições de vida nesta zona do mar. É de grande importância, nas ciências geológicas, o estudo da região nerítica, pois os sedimentos marinhos do passado em sua grande maioria foram formados nesta região, inclusive sedimentos petrolíferos.
Região batial: É delimitada comumente pela profundidade de 1000 metros, havendo nesta região vida bem reduzida, nas suas partes profundas.
Região abissal: Possui profundidades superiores a 1000 metros. A vida é escassa e pouco conhecida; ocorrem peixes de aspecto exótico, muitas vezes fosforescentes, adaptados ás condições de escuridão absoluta e de grande pressão hidrostática. O único alimento constitui-se de restos mortos provindos das regiões superiores. A sedimentação principal constitui-se de restos de esqueletos ou de lama continental finíssima, assunto a ser encarado na sedimentação marinha. Denomina-se região pelágica a que se acha afastada da região nerítica. Abaixo encontram-se as regiões hemipelágicas e eupelágica. A importância da região pelágica reside no fato de tratar-se do local de maior intensidade de vida, o fator de maior importância na sedimentação marinha.

Fontes Consultadas: Geologia Geral. Viktor Leinz

quarta-feira, 20 de março de 2013

Plano da nova malha ferroviária do Estado


Diversas lideranças empresariais e políticas participaram da discussão, na busca de um ponto de partida para viabilizar as ferrovias Litorânea e Leste-Oeste. Na ocasião, o governador Raimundo Colombo lembrou que há setenta anos não existe investimento em ferrovias e o prejuízo por esse erro é muito grande. O importante é que do encontro foi criada definitivamente a consciência de o Estado precisa de uma malha ferroviária como alternativa logística. Enquanto no Brasil 25% de toda a carga transportada é feita por trens, em Santa Catarina esse número não passa de 5%. Com a ausência das ferrovias o Estado perde mais de R$ 32 bilhões por ano, apenas com a ausência de duas ferrovias: uma litorânea integrando os portos e a outra fazendo a ligação da região Oeste com o Leste do Estado.
  
O novo sistema ferroviário

A Ferrovia Litorânea está com seus estudos em fase final, o projeto básico completo está previsto para junho e o projeto executivo para dezembro. Quando concluída, ela vai ligar Imbituba a Araquari, com 263 quilômetros de trilhos, conectando as ferrovias da América Latina Logística (ALL) e FTC, além de quatro portos catarinenses. A Ferrovia Leste-Oeste está menos avançada. Apesar de também já estar incluída no PAC 2, porque seu traçado definitivo ainda não está aprovado. Ela vai ligar a cidade de Chapecó ao Porto de Itajaí, criando uma importante “espinha dorsal” para a exportação dos produtos da agroindústria do Oeste catarinense, que também poderá servir para levar milho e farelo de soja, para baratear a produção de suínos e frango na região.

Fonte: http://paulochagas.net. Acesso em 20/03/2013

Fonte: www.sc.gov.br