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sábado, 20 de novembro de 2010

Concepções do Conceito de Região

Região Natural
(Determinismo Ambiental)

Características da concepção do conceito de Região
A Região Natural é entendida como uma parte da superfície da Terra, dimensionada segundo escalas territoriais diversificadas e caracterizada pela uniformidade resultante da combinação dos elementos da natureza, como o clima, o relevo, a vegetação, a geologia e outros adicionais que diferenciariam ainda mais cada uma destas partes.

Uma Região Natural é um ecossistema onde seus elementos acham-se integrados e são interagentes.

Avaliação: uma análise sintética
Foi o determinismo ambiental o primeiro paradigma a caracterizar a geografia que emerge no final do século XIX, com a passagem do capitalismo concorrencial para uma fase monopolista e imperialista;
O determinismo ambiental justificava a expansão territorial através da criação de colônias de exploração no continente africano, e de povoamento em regiões temperadas, a serem ocupadas pelo excedente demográfico britânico e europeu.
As condições naturais, especialmente as climáticas, e dentro delas a variação de temperatura ao longo das estações do ano, determinam o comportamento do homem, interferindo na sua capacidade de progredir;
Estabeleceu-se uma relação causal entre o comportamento humano e a natureza, na qual esta aparece como elemento de determinação.
No projeto de expansão alemã, Ratzel desenvolveu o conceito de espaço vital, quer dizer, o território que representaria o equilíbrio entre a população ali residente e os recursos disponíveis para as suas necessidades, definindo e relacionando, deste modo as possibilidades de progresso e as demandas territoriais.
As regiões Naturais propostas constituem uma base para estudos sistemáticos para compreender as relações homem/natureza.
O clima aparece em Herbertson, Dryer e outros como o elemento fundamental da natureza.

No Brasil o conceito de região natural foi introduzido via influência francesa, por Delgado de Carvalho em 1913.


Região Geográfica
(Possibilismo)

Características da concepção do conceito de Região
A Região Geográfica abrange uma paisagem e sua extensão territorial, onde se entrelaçam de modo harmonioso componentes humanos e da natureza.

A Região Geográfica é considerada uma entidade concreta, palpável, um dado com vida, supondo, portanto uma evolução e um estágio de equilíbrio.
Neste raciocínio, chegar-se-ia a conclusão de que uma região poderia desaparecer. Sendo assim, o papel do geógrafo é o de reconhecê-la, descrevê-la e explicá-la, isto é, tornar claros seus limites.
O que importa é na região haja uma combinação específica da diversidade, uma paisagem que acabe conferindo singularidade aquela região, ou seja, onde o geógrafo evidenciava a individualidade da região, sua personalidade, aquela combinação de fenômenos naturais e humanos que não se repetiria.

Região e paisagem são conceitos equivalentes ou associados, podendo-se igualar, na geografia possibilista, geografia regional ao estudo da paisagem.

Avaliação: uma análise sintética
O Possibilismo francês na sua origem, opõe-se ao determinismo ambiental germânico. Neste contexto a geografia francesa teria que cumprir simultaneamente vários papéis:
a) Desmascarar o expansionismo germânico, criticando o conceito de espaço vital, sem, no entanto inviabilizar intelectualmente o colonialismo francês;
b) Abolir qualquer forma de determinação, da natureza ou não, adotando a idéia de que a ação humana é marcada pela contingência;
c) Enfatizar a fixidez das obras do homem, criadas através de um longo processo de transformação da natureza.
Vidal de la Blache redefine o conceito de gênero de vida sendo, pois um acervo de técnicas, hábitos, usos e costumes, que lhe permitiram utilizar os recursos naturais disponíveis.

No Brasil a aplicabilidade do conceito de região geográfica se deu na medida em que formaram bases territoriais agregadas cujos resultados foram divulgados no recenseamento de 1950 e 1960.


Estudos de Área
(Método Regional)

Características da concepção do conceito de Região
A região para Hartshorne, não passa de uma área mostrando a sua unicidade, resultado de uma integração de natureza única de fenômenos heterogêneos.

No método regional a diferenciação de áreas não é vista a partir das relações entre o homem e a natureza, mas sim da integração de fenômenos heterogêneos em uma dada porção da superfície terrestre.

Foco no método, no estudo de áreas e por último a diferenciação de áreas passa a ser o objeto da geografia.

Avaliação: uma análise sintética
O método regional consiste no terceiro paradigma da geografia, opondo-se ao determinismo ambiental e ao possibilismo.
As contribuições do método regional para o conceito de região são muito limitadas.
No plano externo, o método regional evidencia a necessidade de produzir uma geografia regional, ou seja, um conhecimento sintético sobre diferentes áreas da superfície da Terra.
No plano interno registra a procura de uma identidade para a geografia, que se obteria não a partir de um objeto próprio, mas através de um método exclusivo, a diferenciação de áreas passa a se considerar o resultado do método geográfico e, simultaneamente, o objeto da geografia.


Classes de Área
(Nova Geografia)

Características da concepção do conceito de Região
Região definida como um conjunto de lugares onde as diferenças internas entre esses lugares são menores que as existentes entre eles e qualquer elemento de outro conjunto de lugares.

Geografia conhecida como teorética ou geografia quantitativa.

Fundamento no positivismo  lógico (analogia com as ciências naturais).

Utilização de técnicas estatísticas descritivas como o desvio padrão, o coeficiente de variação e a análise de agrupamento.

Divisão Regional concebida com objetividade máxima, implicando a ausência de subjetividade por parte do pesquisador.

A região não é considerada uma entidade concreta e sim uma criação intelectual balizada por propósitos especificados, tal como aponta Grigg.
Avaliação: uma análise sintética
Tem um papel ideológico a ser cumprido, é preciso justificar a expansão capitalista, escamotear as transformações que afetaram os gêneros de vida e paisagens solidamente estabelecidas, assim como dar esperanças aos “deserdados da terra”.
Calcada em uma abordagem locacional: o espaço alterado resulta de um agregado de decisões locacionais.
Na ampla possibilidade de aparecimento de divisão regional, existem dois enfoques que não se excluem mutuamente: O primeiro considera Região como simples ou complexa, onde simples é a divisão regional de acordo com um único critério ou variável, e a região complexa levam em conta muitos critérios ou variáveis (reduzida a umas poucas através da análise fatorial) como, por exemplo, a densidade demográfica, para definir uma dada região especificada. O segundo enfoque visa às regiões homogêneas ou funcionais, onde homogêneas referem-se à unidade agregada de áreas descritas pela análise de características sem movimento no tempo e espaço, e as funcionais definidas de acordo com o movimento de pessoas, mercadorias e decisões e idéias sobre a superfície da terra.
Calcada explicitamente nos princípios da classificação, várias classes de área organizam-se em um sistema classificatório, tal sistema pode ser concebido de dois modos:
- Divisão lógica (dedutiva): procedimento de trajetória descendente procura diferenciações;
- Agrupamento (indutiva): procedimento de trajetória ascendente procura regularidades.

No Brasil a Nova Geografia desenvolveu-se nos departamentos de Geografia de Rio Claro e de estudos Geográficos do IBGE.


Região ou áreas diferenciadas
(Geografia Crítica)

Características da concepção do conceito de Região
Considera-se o conceito de região e o tema regional sob uma articulação dos modos de produção.

Região é considerada uma entidade concreta, resultado de múltiplas determinações, ou seja, da efetivação dos mecanismos de regionalização sobre um quadro territorial já previamente ocupado, caracterizado por uma natureza já transformada, heranças culturais e materiais e determinada estrutura social e seus conflitos.  Ou em outras palavras, é a realização de um processo geral, universal, em um quadro territorial menor, onde se combinam o geral, o modo dominante de produção, o capitalismo, elemento uniformizador, e o particular, as determinações já efetivadas, elemento de diferenciação.

Para Duarte região é uma dimensão espacial das especificidades sociais em uma totalidade espaço-social, ainda afirma que regiões são espaços em que existe uma sociedade que realmente dirige e organiza aquele espaço.

Avaliação: uma análise sintética
A nova Geografia e os paradigmas tradicionais são submetidos a severa crítica por parte de uma geografia nascida de novas circunstâncias que passam a caracterizar o capitalismo.
O vetor mais significativo é aquele calcado no materialismo histórico e na dialética marxista;
Teve a função não só de contestar o pensamento dominante, mas também a intenção de participar de um processo de transformação da sociedade verificado nos países de capitalismo avançado o agravamento de tensões sociais;
O tema da região, questão clássica na história do pensamento geográfico, é retomado pela geografia crítica. Neste sentido, uma tentativa de conceituação de região será feita procurando entendê-la por uma visão dialética.
Foi aplicada a Lei do desenvolvimento desigual e combinado como forma de inserir o conceito de região dentro de um quadro teórico amplo, que permita dar conta da diversidade da superfície da Terra sob a ação humana ao longo do tempo.

No Brasil a geografia crítica nasce no final da década de 70, cujo marco foi o 3º Encontro Nacional de Geógrafos realizado em julho de 1978 em Fortaleza.


Região de planejamento
(território de ação e controle)

Características da concepção do conceito de Região
Ao defenir uma região para fins de ação e controle considera-se alternativamente: o conceito de região natural, o de região geográfica, e uma área vista por um aspecto ao qual se atribui relevância, como uma determinada produção. Pode ainda, na realidade, abranger uma combinação das alternativas mencionadas. Assim as diferentes conceituações de região estão presentes na prática territorial das classes dominantes.

Avaliação: uma análise sintética
A ação e controle sobre uma determinada área quer garantir, em última análise, a reprodução da sociedade de classes, com uma dominante, que se localiza fora ou no interior da área submetida a divisão regional, esta aceitação explícita ou  implícita da diferenciação de áreas ao longo da história. A sua ratificação ou retificação se dá a cada momento, conforme os interesses e os conflitos dominantes de cada época.
A região de planejamento, isto é, um território de ação e controle, tem seu apogeu nas décadas de 60 e 70. Este é o caso brasileiro: entre 1964 e 1977/78, sobretudo, numerosos estudos almejando a definição de regiões de planejamento foram realizados, seja a nível federal e macrorregional, seja a nível estadual.

Fonte Consultada:

CORRÊA, Roberto Lobato.  Região e Organização do Espaço. Editora Ática, São Paulo, 1987 – Série Princípio.

Um comentário:

  1. eu quero saber como a região e definida essas coisas ai tenta descobri que dai eu vouto pra tentar ver a resposta

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