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sábado, 30 de outubro de 2010

Floresta Amazônica

A Amazônia é a maior floresta tropical úmida do mundo com uma área aproximada de 4,5 milhões de km2 (Sioli, 1990), abrangendo no território brasileiro os estados do Amazonas, Pará, Acre, Roraima, Amapá, Rondônia, norte do Mato Grosso e oeste do Maranhão. Além do Brasil a Floresta Amazônica se estende pelos países vizinhos da Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia e Peru.
            A Amazônia está localizada no norte da América do Sul, sendo esta região cortada pelo rio Amazonas, que nasce no Peru, na Cordilheira dos Andes e deságua no oceano Atlântico, depois de cruzar todo o norte do país, tendo aproximadamente 6.570 km de comprimento(Ab’Saber, 2005). A região abriga o sistema fluvial mais extenso e de maior massa líquida da Terra, formando a Bacia Amazônica, que tem uma área calculada em mais de 7 milhões de km2  (Sioli, 1990).
            No domínio Amazônico predominam temperaturas médias anuais de 26 a 27 ºC, ocorrendo chuvas, em geral, superiores a 1700 mm, alcançando até 3500 mm, perfazendo uma precipitação média de 2500 mm ao ano. Ligado a tais condições climáticas, baseada na associação entre calor e umidade, foi possível gerar e preservar o grande contínuo de florestas e diversidade biológica, que se estende do nordeste do Pará aos sopés dos Andes, dos arredores da Serra dos Carajás às encostas do Pico da Neblina e serras ocidentais de Roraima (Sioli, 1990).
            O fator importante para a formação e manutenção da floresta amazônica é o regime pluvial, sendo a Amazônia uma região de chuvas abundantes e bem distribuídas o ano todo, devido a sua posição geográfica de clima equatorial, quente e úmido, além da densa rede de rios, propiciando o surgimento da floresta (Sioli, 1990).
            Segundo estudos, aproximadamente a metade da água da chuva caída na Amazônia retorna, por evaporação, diretamente a atmosfera, onde novamente se condensa e volta a cair (Sioli, 1990, Apud Salati et ali).
            Mas para se entender as condições atuais da Amazônia é preciso saber como elas se originaram, qual a história geológica que condicionou esta região. Um dos fatores responsáveis pela origem da Floresta Amazônica foi o soerguimento da Cordilheira dos Andes que bloqueou o escoamento do sistema fluvial amazônico, que naquela época, corria para o oceano Pacífico (Sioli, 1990).
            Na era Paleozóica a depressão amazônica estava coberta pelo mar formando um grande golfo aberto para o pacífico onde foram deixados sedimentos marinhos de vários períodos, chegando a 3.000 metros de espessura (Sioli, 1990).
            Após, houve uma regressão marinha e durante toda a Era Mezosóica a Baixada Amazônica era terra emersa, sendo que os rios que drenavam esta região corriam para o Pacífico, correndo, o canal fluvial principal em sentido contrário ao atual (Sioli, 1990).
            Foi então na Era Cenozóica que os Andes começaram a soerguer-se, passando a bloquear o escoamento do sistema fluvial amazônico para o oceano Pacífico represando as águas fazendo com que toda a depressão amazônica transformar-se em uma paisagem alagada formada por rios e lagos, ocorrendo a partir daí a formação de toda a Baixada Amazônica com sedimentos de água doce, que atingindo até 300 metros de espessura constituem as camadas da chamada formação Barreiras ou Alter do Chão (Sioli, 1990).
            Por fim, as massas de água acabaram fluindo para leste, formando-se o atual sistema fluvial do Amazonas, que a partir de então passou a desaguar no oceano Atlântico e o solo sedimentar da paisagem anterior, gerado na água, ficou a seco, cobrindo-se com a floresta (Sioli, 1990).
            A Floresta Amazônica é, portanto, resultante da história geológica e do clima, abrigando o sistema fluvial mais extenso e de maior massa líquida da terra, sendo coberta pela maior floresta pluvial tropical. A Floresta Amazônica se desenvolveu em uma planície, cuja rede hidrográfica drena esta região através dos vários rios, que se originam tanto no planalto Central como no planalto das Guianas e também nos Andes, tributários do Rio Amazonas que deságua todo este volume d’água no oceano Atlântico. É delimitada ao norte pelo maciço das Guianas e ao sul pelo maciço do Brasil Central, a oeste pela jovem Cordilheira dos Andes, ficando aberta a leste, permitindo aí a franca entrada dos ventos alísios (Sioli, 1990).
            O relevo Amazônico apresenta uma área de planície, com atitude de até 100 metros apenas ao longo do baixo Amazonas, constituída de sedimentos recentes resultantes da deposição de aluviões transportados pelos rios. A partir do distanciamento das margens do "grande rio" até cerca de 500 metros de altitude, ocorrem às depressões, com inclinações suaves, resultantes do trabalho de erosão sobre rochas de origem cristalinas ou sedimentares. Nos extremos Norte e Sul, encontramos os planaltos das Guianas e do Brasil Central, com altitudes variando entre 500 a 900 m, formados por terrenos cristalinos, constituindo áreas onduladas, (Sioli, 1990).
            A vegetação caracteriza-se de acordo com os três níveis topográficos da Amazônia, por três diferentes matas: de igapó, várzea e terra firme. A mata de igapó corresponde à parte da floresta em que o solo se encontra inundado, tendo como exemplo a vitória-régia. A mata de várzea é própria das regiões inundadas periodicamente, denominadas terraços fluviais ou planície aluvial de 20 a 100 km de largura. As matas de terra firme se localizam na parte mais elevada do relevo amazônico, livre de inundação (Sioli, 1990).
            Quanto à formação florestal, a Amazônia parece ser uma paisagem homogênea, mas não é, sendo que podemos distinguir dois tipos, a Floresta Ombrófila Densa, com vegetação fechada, úmida devido à luz solar não chegar ao solo, estando ligada a fatores climáticos tropicais de elevadas temperaturas (médias de 25ºC) e de alta precipitação, bem distribuída durante o ano com  0 a 60 dias secos. Esta floresta está presente por toda a planície amazônica (Veloso et ali, 1991).
            Já a Floresta Ombrófila Aberta circunda a parte sul da Bacia Amazônica e ocorre em inúmeros agrupamentos separados, situados nas partes norte e leste da Floresta Amazônica, apresentando quatro faciações florísticas que alteram a fisionomia ecológica da Floresta Ombrófila Densa, sendo a floresta de palmeiras, a floresta de bambu, a floresta de sororoca e a floresta de cipó, onde as copas das árvores geralmente não ficam tão próximas umas das outras, o que permite a passagem dos raios solares imprimindo-lhe claros, além de gradientes climáticos com mais de 60 dias secos por ano (Veloso et ali, 1991).
            Os terrenos areníticos do Período Terciário são em geral revestidos por comunidades florestais, com palmeiras por toda a Amazônia e com Bambu na parte ocidental, já as comunidades com sororocas e com cipó revestem preferencialmente as depressões do embasamento pré-cambriano e encostas do relevo dissecado dos planaltos que envolvem o grande vale amazônico (Veloso et ali, 1991).
            Nos Estados do Piauí e Maranhão a floresta de palmeiras pode ser considerada como uma floresta de babaçu revestindo terrenos areníticos do Cretáceo, na bacia do Maranhão-Piauí. A floresta aberta com bambu encontra-se distribuída principalmente nos Estados do Amazonas e do Acre, sendo que o gênero Guada invadiu recentemente sobre o dobramento pré-andino do Cretáceo. A floresta de cipó, que era mais expressiva no sul do estado do Pará, principalmente nas depressões circulares do Pré-Cambriano, encontra-se distribuída por toda a Amazônia. A floresta aberta com sororoca é quase exclusiva da bacia do rio Xingu, sendo a menos representativa (Veloso et ali, 1991).

Fontes Consultadas

AB’SABER, Aziz Nacib. Os Domínios de Natureza no Brasil – Potencialidades paisagísticas. Ed. Ateliê Editorial, São Paulo, 2005.

SIOLI, H. Amazônia – Fundamentos de Ecologia da maior região de florestas tropicais. 2ª edição, Ed. Vozes, Petrópolis, 1990.

VELOSO, H. P.; RANGEL FILHO, A. L. R.; LIMA, A. J. C. Classificação da Vegetação Brasileira Adaptada a um sistema Universal. IBGE/Dpto. de Recursos Naturais e Estudos Ambientais. Rio de janeiro, 1991.

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