segunda-feira, 18 de março de 2013

Geografizando o jornal e outros cotidianos: Práticas em geografia para além do livro didático.

Autor: Nestor André Kaercher.
Fonte: Ensino da Geografia: Práticas e textualizações no cotidiano. Editora Mediação. Porto Alegre, 2000, p. 134-169.
Mensagem Principal: Mostrar que outros materiais, como por exemplo, o jornal pode auxiliar o professor na elaboração de uma aula mais interessante para o aluno ao perceber o espaço geográfico no seu cotidiano.

RESUMO

O texto busca mostrar o cotidiano, a atualidade e importância da geografia, através de questões que podem ser obtidas em jornais e que podem contribuir para a percepção do espaço no dia-a-dia. Retrata questões tratadas pelos professores tratadas em sala de aula. Muitos destes pensam que dar aula é apenas seguir o livro didático, o que não é verdade, pois várias atividades podem ser construídas em conjunto com os alunos, através de exemplos do cotidiano muitos assuntos  podem ser mais bem entendidos pelos alunos. O professor pode inovar e questionar junto com o aluno questões que são impostas a nós como verdades, como notícias veiculadas em jornais, revistas, televisão entre outros para que juntos construam mais conhecimento. O autor apresenta alguns passos metodológicos que podem auxiliar professores nas atividades em sala de aula:  1) Ouvir os alunos, 2) Sistematizar no quadro e no caderno as suas discussões; 3) Criar polemicas e duvidas sobre o que diz e o que se ouve;  4) Sistematizar no quadro e no caderno essas novas “descobertas”; 5) Produzir surpresas.
É necessário que o professor estimule o aluno para a aprendizagem, provocando-o com questões novas e fazendo questionamentos sobre os fatos da realidade, para que esse fique curioso e desperte o interesse. Deve questionar o porquê das coisas, para que nas entrelinhas os alunos percebam que nem tudo que parece é mesmo verdade, que quase sempre há interesses econômicos por detrás de discursos de ordem. Enfim, as reportagens de jornais podem levar à discussões de inúmeras questões. Um exemplo citado pelo autor é a questão das terras no Pará. Esta questão traz uma serie de pontos que podem ser debatidos em sala de aula, como por exemplo: diferentes grupos que vivem nestas terras, o MST, fazendeiro e agricultores, subsistências, especulação financeira, queimadas, diversidade, problemas ambientais, indígenas entre outros. As praticas e experiências do autor são apresentadas no texto, mostrando as varias possibilidades para o estudo do espaço geográfico e para a produção e não reprodução de informações. Através de atividades como, pesquisa de preços dos produtos alimentícios pelos alunos, pode-se discutir a inflação, o salário mínimo, fome, desemprego, lucros dos vendedores, entre outros. Para o estudo das mudanças do espaço geográfico, das tradições, da natureza, dos meios de transporte e comunicação entre outras mudanças acontecem no decorrer do tempo, pode-se sugerir aos alunos pesquisas com pessoas idosas, a fim de comparar os dados com os atuais. Enfim, varias atividades podem ser realizadas em sala de aula com auxilio de outros materiais que não seja o livro didático, pois atividades praticas só vem acrescentar a aprendizagem dos alunos e a construção de conhecimentos pelos mesmos, assim como o interesse pelas aulas tornará muito mais divertido aprender.

Projeções Cartográficas


Autor: Paulo Araújo Duarte
Fonte: Fundamentos de Cartografia. Editora da UFSC. Fpolis 2002. Pág. 83 a 114.
Mensagem principal: Existem diversos tipos de projeções cartográficas, cada qual possuindo determinadas características que fazem com que os mapas estejam certos e errados ao mesmo tempo, assim cada tipo de projeção cartográfica atenderá a determinadas finalidades ou efeitos que se pretende alcançar no desenho dos mapas.

RESUMO

     Com o passar do tempo surgiu a necessidade de obter resultados cartográficos com o maior rigor científico possível, tendo-se duas formas principais de representar a superfície terrestre: globos e mapas, sendo o globo o modo mais fiel de representar a. Terra por ter o formato original. Os globos e mapas apresentam algumas vantagens e desvantagens que justificam o seu uso:
- o globo não permite uma visão de toda a superfície terrestre ao mesmo tempo enquanto o mapa permite.
- o globo permite gerar e escolher qualquer ponto como centro, o que não se pode fazer com os mapas, pois estes são fixos.
- os globos apresentam grande dificuldade de manuseio como obter cópias, medidas e transportes, os mapas não.
- os globos têm seu custo mais elevado em comparação aos mapas.
- os globos pra que fiquem num tamanho razoável precisam representar a terra num tamanho muito pequeno o que leva a generalização.
Definição de projeção cartográfica: Traçado sistemático de linhas numa superfície plana, destinado à representação de paralelos de latitude e meridianos de longitude da terra ou parte dela. Pode ser construído mediante cálculo analítico, ou traçado geometricamente. Frequentemente referido como projeção, o termo completo é aconselhado, a não ser que o contexto indique claramente o significado (Oliveira 1983).
Uma projeção cartográfica é a base para construção de mapas, pois ela se constitui numa rede de paralelos e meridianos, sobre a qual os mapas poderão ser desenhados. No entanto, os modos de obtenção desta malha de linhas são os mais diversos, cada qual gerando certas distorções e evitando outras.
Existem diversos tipos de projeções pressionando a Terra sobre um plano partindo o globo em vários lugares, tais como:
- Projeção de Mercator: provoca grandes deformações superficiais nas altas latitudes;
- Projeção eqüidistante;
- Projeção circunscrita na figura de um cubo;
- Projeção cilíndrica equivalente: provoca grandes deformações nas altas latitudes além de achatar as regiões polares;
- Projeção senoidal: procura manter as dimensões superficiais reais, deformando a fisionomia;
- Projeção borboleta: a referência da preferência aos continentes interrompendo as massas de água;
- Projeção homalográfica de Mollweide: procura manter as superfícies em verdadeira grandeza, alterando a fisionomia das regiões.
Nenhum mapa é perfeito, todos eles possuem determinadas propriedades que fazem com que se conheça conforme o tipo de projeção, as deformações ocorridas.
As projeções da rede geográfica são feitas em três tipos de superfície: cilindro, cone e plano, sendo a projeção dos paralelos e meridianos feita na parte interna do cilindro, do cone ou diretamente na superfície plana. Quando a superfície terrestre é desenhada em projeções cartográficas diferentes, assume as características do sistema adotado, apresentando deformações em alguns pontos e mantendo-se fiel em outros.
Então um mapa nunca será em sua totalidade, a representação perfeita da superfície terrestre.
Algumas propriedades são importantes na confecção dos mapas:
- manter inalteradas as grandezas dos ângulos, neste caso as projeções são denominadas Conformes.
- conservar a relação entre as áreas da superfície terrestre com as representadas no mapa, neste caso a projeção é denominada de Equivalente.
- conservar inalterada a relação entre os comprimentos medidos e certas direções, esta propriedade é denominada Eqüidistância.
Portanto, equivalência, conformidade e eqüidistância são propriedades gerais das projeções cartográficas, as quais podem ser obtidas variando-se o tipo e a posição da superfície de projeção (plano, cone ou cilindro).
Ainda existe o sistema UTM (Universal Transversa de Mercator) que na verdade não é uma projeção cartográfica, mas um sistema baseado na Projeção tranversa de Mercator, a finalidade era determinar as coordenadas retangulares nos mapas militares de grande escala.

Um pouco da história dos mapas

Autor: Paulo Araújo Duarte
Fonte: Fundamentos de Cartografia. Editora da UFSC. Fpolis, 2002. Pág. 19 a 46.
Mensagem principal: Entender que o mapa é uma produção cultural de cada povo e não um simples instrumento de localização sendo, pois um precioso instrumento de representação da Terra.

RESUMO

         Há tempo que o homem vem utilizando-se da confecção de mapas como meio de armazenamento de conhecimentos sobre a superfície terrestre a fim não só de conhecer como também de racionalizar o uso do espaço geográfico. Em tempos passados os mapas eram guardados em segredos, pois podiam indicar os caminhos da fortuna do pequeno mundo conhecido.                                                   
Mapa, um produto cultural de cada povo: os mapas representam uma forma de saber, um produto cultural dos povos e não uma mera difusão tecnológica. Cada cultura exprime sua particularidade cartográfica, mesmo os produtos cartográficos mais modernos, baseados no uso de satélites e informática não deixam de ser construções sociais. Os mapas podem também, em certos casos exprimir uma visão ideológica do mundo, como os mapas encontrados da Europa pré-histórica, elaborado por arqueólogos nazistas provando a distribuição dos germanos na Grécia e na Escandinávia.
Mapas antigos: um dos mapas mais antigos foi encontrado na mesopotâmia sendo uma pequena placa de barro provalvemente representando esta região. Outro mapa rudimentar é atribuído aos indígenas das Ilhas Marshall feita com tiras de palha e conchas. No norte da Itália também foram encontrados mapas rupestres, alguns deles apresentando componentes da paisagem agropastoril. Em outros países também foram encontrados mapas como na Turquia e na Índia.
Mapas e religiosidade: os mitos e preceitos religiosos também influenciaram a cartografia. O ponto central dos mapas também tem sido outra questão bastante explorada na confecção dos mapas nas diversas culturas.
Mapas Chineses: a cartografia chinesa já era bastante desenvolvida muito antes da Europa começar a fazer trabalhos neste campo do conhecimento. Os mapas antigos chineses comprovavam a preocupação dos governantes em mapear as riquezas naturais. Um dos nomes mais respeitados na cartografia chinesa é de Pei Hasiu (224 a 273 d.C.) e do almirante Zheng He (1371 a 1433 d.C.).
Influência grega na cartografia: os gregos tiveram importância no desenvolvimento da cartografia ocidental estabelecendo as bases científicas da moderna cartografia. Eles definiram as linhas da rede geográfica: Equador, Trópicos, Círculos polares e Meridianos. Os nomes mais importantes foram Anaximandro de Mileto, Hecateu e Erastóstenes.
Idade Média, a cartografia também decai: a partir de Ptolomeu, temos um período de decadência. A cartografia cristã da baixa Idade média nega a esfericidade da Terra, outro exemplo é o estilo simples e simétrico imposto aos mapas como os Orbis Terrarum. Ainda na Idade média começa a circular na Europa um tipo de mapa mais científico e utilitário, o porlulano.
Gerhard Mercator um novo Ptolomeu?: A cartografia européia desenvolveu-se, sobretudo a partir do Renascimento e das grandes navegações que exigiram mapas. Um dos cartógrafos mais importantes da Europa foi o belga Gerhard Mercator (1512 a 1594) com a invenção de uma projeção cartográfica com meridianos retos e eqüidistantes e paralelos também retos, porém cada vez mais espaçados entre si na direção dos pólos.
França destaque para a família Sanson: Os Sanson publicaram muitos mapas e Atlas influenciados pela cartografia de Mercator.
Portugal e as origens da cartografia no Brasil: A cartografia inicial teve influência portuguesa tendo um caráter marítimo sendo depois modificado pela vinda da família real e o estabelecimento de novas bases cartográficas.
Maias e Astecas: Os maias e os astecas possuíam uma rica tradição cartográfica, ainda que fossem encontrados em boa parte dos mapas exagero na representação de certos elementos provalvemente para realçar a importância.
Árabes: Os árabes se destacaram no passado principalmente na época do retrocesso europeu no Período da Idade média, sobretudo pelos estudos e aprimoramentos das obras gregas. Uma das obras mais importantes da cartografia árabe é um Atlas do mundo conhecido do famoso cartógrafo al-Idrisi (séc.XII).    

sábado, 16 de março de 2013

O mistério do planeta vermelho


Autor: Euripedes Alcântara
Fonte: Revista Veja on-line – <http://www2.uol.com.br/veja/idade/em_dia/marte_capa.html> 
Mensagem principal: A possibilidade de vida fora da Terra após estudos em um meteorito proveniente de Marte contendo traços de atividade bacteriana.

RESUMO

A Nasa anunciou que descobriu evidências de vida em Marte após analisar um meteorito encontrado na Antártida em 1984. O meteorito continha amostras da atmosfera e traços de atividade bacteriana que teriam existido em Marte a bilhões de anos e por se encontrar no interior da rocha esta descartada a contaminação por organismos terrestres.
O meteorito foi batizado de ALH84001, a sigla o identifica como tendo sido o primeiro a ser encontrado na região de Allan Hills, na Antártida, no ano de 1984. A comprovação de que o meteorito provinha de Marte se deu ao comparar a atmosfera de Marte obtida pela sonda Viking com amostras de gases contidas em bolhas no interior do meteorito e análise da composição química da rocha que comprovou que era proveniente de Marte.
Com as pesquisas da Nasa surgiram novas teorias sobre o surgimento da vida, segundo Mônica Grady, especialista do Museu de História Natural, a vida teria surgido sem a presença de oxigênio ou luz do Sol em fontes hidrotermais ricas em compostos sulfúrico aquecida por vulcões, substituindo dessa forma a teoria da sopa primordial de aminoácidos bombardeada por raios, assim os planetas considerados inóspitos poderiam exibir alguma forma de vida. "Apenas os traços de material orgânico são insuficientes para levantar a hipótese de vida extraterrestre. Já se sabe que tais traços costumam aparecer nas rochas trazidas da Antártida e que permanecem muitos anos nas prateleiras dos laboratórios", diz Ian Franchi, pesquisador da Open University, de Londres. O meteorito ALH84001 ficou doze anos numa prateleira antes de ser estudado pela equipe da Nasa. "Sei que temos de provar a existência de paredes celulares no meteorito e essa é justamente a próxima etapa do nosso experimento", reconheceu David McKay na sexta-feira.
O artigo divulgado sobre o meteorito mais parece um golpe de publicidade para angariar recursos do que um achado científico a começar pelo título: "Em busca de vida primitiva em Marte: possíveis relíquias de atividade biogênica no meteorito marciano ALH84001".
Certezas e dúvidas: O que os cientistas já têm comprovado sobre o meteorito e o que ainda falta esclarecer. Certeza absoluta de que a rocha é proveniente de Marte. Quando foi achada na Antártida, ela continha encapsuladas amostras da atmosfera marciana que conferem perfeitamente com as medições feitas em Marte em 1970 pela sonda americana Viking. Quase certeza de que as marcas são de bactérias. Áreas do meteorito estão cobertas por glóbulos de carbonato que podem ou não ter origem biológica. Aparecem no microscópio eletrônico num padrão mais compatível com a vida bacteriana.
Dúvida com relação a origem das bactérias. A Nasa diz que rachaduras produzidas há milhões de anos separam ao meio os sinais de vida bacteriana. Ou seja, eles seriam anteriores à queda na Terra. Muitos acham a prova inconsistente. Dúvida total com relação a existência de bactérias fossilizadas na rocha. A Nasa acha que há mais do que sinais do metabolismo bacteriano. Certas texturas seriam as próprias bactérias marcianas fossilizadas. Cientistas independentes não acreditam nisso.

A fascinante busca por vida fora da Terra

Autor: Vinícius Romani
Fonte: Revista Os caminhos da Terra, nº 10, p. 45-55
Mensagem principal: Encontrar planetas telúricos em outros sistemas solares com capacidade de hospedar vida.

RESUMO

Os astrônomos procuram planetas telúricos semelhantes ao nosso em outros sistemas solares em busca de vida sendo que planetas gasosos já foram encontrados orbitando em torno de outras estrelas. A missão Corot busca indícios de vida fora da Terra e quem sabe sinais de vida extraterrestre inteligente. A Agência Espacial Européia (ESA) planeja para 2014 o lançamento da missão Darwin para estudos sobre a presença de atividade biológica nos planetas achados pelo Corot. A Nasa planeja enviar duas missões com objetivos semilares: a Kepler e a Terrestrial Planet Finder.
Química misteriosa: Ao procurar vida fora da Terra a grande dificuldade encontrada pelos cientistas é definir o que seja vida, pois só conhecem um tipo, a terrestre. A definição mais adotada é de que a vida é um sistema químico capaz de evoluir usando o processo de seleção natural, com transmissão de características aos seus descendentes, neste conceito estão implícitas atividades como metabolismo e reprodução. Se este for o conceito, a vida no universo só pode se desenvolver a partir de moléculas de carbono, visto que são elas que formam as cadeias de aminoácidos que formam em última análise o DNA, que armazena o código genético das espécies.
Explosão de vigor: O átomo base para o desenvolvimento da vida seria o carbono por se ligar com todos os átomos que cruzam seu caminho além de ser um dos elementos mais abundantes do universo. Para completar a receita seria necessário a presença de água por ser um solvente perfeito além do hidrogênio e o oxigênio serem encontrados em toda parte. Além disso, os planetas candidatos teriam que se situar em zonas de temperatura que atendam a seguinte exigência, nem muito próximo da estrela fazendo evaporar a água, nem muito longe fazendo congelá-la.
Digital luminosa: A existência de vida pode ser inferida pelo tipo de luz que o planeta emite, visto que as substâncias orgânicas emitem um tipo de luz com freqüência especial, se for encontrado um planeta na zona habitável que emitam freqüências luminosas compatíveis com a presença de substâncias como água, gás carbônico, ozônio e enxofre, é possível que possua vida.
Há evidências de que a vida é um subproduto das estrelas, já que nos últimos anos os astrônomos têm coletado largas moléculas de aminoácidos, a matéria orgânica que compõe os seres vivos, sobre os meteoros ou na poeira cósmica interestelar.
Somos marcianos?: As pesquisas especulam sobre a origem da vida em outro planeta, o candidato mais provável é Marte, pois acredita-se que há 5 bilhões de anos ele se encontrava na zona habitável porque o Sol era uma estrela jovem que emitia mais luz e calor, os indícios são de que a vida foi trazida de Marte por uma chuva de meteoros. 
Existem três candidatos a hospedar vida em nosso sistema solar: Marte, Titã, a lua de Saturno e Europa, uma lua de Júpiter por conterem condições como atmosfera e gelo.
Ets inteligentes: A Nasa atualmente está direcionando suas pesquisas a procura de vida simples como microrganismos unicelulares desagradando os cientistas do programa SETI que procuram vida inteligente, a medida é para conter os enormes gastos sendo o programa SETI de pequena possibilidade de sucesso.