Autor: Paulo Araújo Duarte
Fonte: Fundamentos de Cartografia. Editora da UFSC. Fpolis, 2002. Pág. 19 a 46.
Mensagem principal: Entender que o mapa é uma produção cultural de cada povo e
não um simples instrumento de localização sendo, pois um precioso instrumento
de representação da Terra.
RESUMO
Há tempo que o homem vem utilizando-se
da confecção de mapas como meio de armazenamento de conhecimentos sobre a
superfície terrestre a fim não só de conhecer como também de racionalizar o uso
do espaço geográfico. Em tempos passados os mapas eram guardados em segredos,
pois podiam indicar os caminhos da fortuna do pequeno mundo conhecido.
Mapa, um produto cultural de cada povo: os mapas representam uma
forma de saber, um produto cultural dos povos e não uma mera difusão
tecnológica. Cada cultura exprime sua particularidade cartográfica, mesmo os
produtos cartográficos mais modernos, baseados no uso de satélites e
informática não deixam de ser construções sociais. Os mapas podem também, em
certos casos exprimir uma visão ideológica do mundo, como os mapas encontrados
da Europa pré-histórica, elaborado por arqueólogos nazistas provando a
distribuição dos germanos na Grécia e na Escandinávia.
Mapas antigos: um dos mapas mais antigos foi encontrado na
mesopotâmia sendo uma pequena placa de barro provalvemente representando esta
região. Outro mapa rudimentar é atribuído aos indígenas das Ilhas Marshall
feita com tiras de palha e conchas. No norte da Itália também foram encontrados
mapas rupestres, alguns deles apresentando componentes da paisagem
agropastoril. Em outros países também foram encontrados mapas como na Turquia e
na Índia.
Mapas e religiosidade: os mitos e preceitos religiosos também
influenciaram a cartografia. O ponto central dos mapas também tem sido outra
questão bastante explorada na confecção dos mapas nas diversas culturas.
Mapas Chineses: a cartografia chinesa já era bastante desenvolvida
muito antes da Europa começar a fazer trabalhos neste campo do conhecimento. Os
mapas antigos chineses comprovavam a preocupação dos governantes em mapear as
riquezas naturais. Um dos nomes mais respeitados na cartografia chinesa é de
Pei Hasiu (224 a
273 d.C.) e do almirante Zheng He (1371 a 1433 d.C.).
Influência grega na cartografia: os gregos tiveram importância no
desenvolvimento da cartografia ocidental estabelecendo as bases científicas da
moderna cartografia. Eles definiram as linhas da rede geográfica: Equador,
Trópicos, Círculos polares e Meridianos. Os nomes mais importantes foram Anaximandro
de Mileto, Hecateu e Erastóstenes.
Idade Média, a cartografia também decai: a partir de Ptolomeu,
temos um período de decadência. A cartografia cristã da baixa Idade média nega
a esfericidade da Terra, outro exemplo é o estilo simples e simétrico imposto
aos mapas como os Orbis Terrarum. Ainda na Idade média começa a circular na
Europa um tipo de mapa mais científico e utilitário, o porlulano.
Gerhard Mercator um novo Ptolomeu?: A cartografia européia
desenvolveu-se, sobretudo a partir do Renascimento e das grandes navegações que
exigiram mapas. Um dos cartógrafos mais importantes da Europa foi o belga
Gerhard Mercator (1512 a
1594) com a invenção de uma projeção cartográfica com meridianos retos e
eqüidistantes e paralelos também retos, porém cada vez mais espaçados entre si
na direção dos pólos.
França destaque para a família Sanson: Os Sanson publicaram muitos
mapas e Atlas influenciados pela cartografia de Mercator.
Portugal e as origens da cartografia no Brasil: A cartografia
inicial teve influência portuguesa tendo um caráter marítimo sendo depois
modificado pela vinda da família real e o estabelecimento de novas bases
cartográficas.
Maias e Astecas: Os maias e os astecas possuíam uma rica tradição
cartográfica, ainda que fossem encontrados em boa parte dos mapas exagero na
representação de certos elementos provalvemente para realçar a importância.
Árabes: Os árabes se destacaram no passado principalmente na época
do retrocesso europeu no Período da Idade média, sobretudo pelos estudos e
aprimoramentos das obras gregas. Uma das obras mais importantes da cartografia
árabe é um Atlas do mundo conhecido do famoso cartógrafo al-Idrisi (séc.XII).